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RN reconhece experiência de Paulo Freire em Angicos como patrimônio cultural imaterial

Paulo Freire Divulgação A experiência das “40 Horas de Angicos”, coordenada pelo educador Paulo Freire em 1963, na cidade de Angicos, foi reconhecida com...

RN reconhece experiência de Paulo Freire em Angicos como patrimônio cultural imaterial
RN reconhece experiência de Paulo Freire em Angicos como patrimônio cultural imaterial (Foto: Reprodução)

Paulo Freire Divulgação A experiência das “40 Horas de Angicos”, coordenada pelo educador Paulo Freire em 1963, na cidade de Angicos, foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio Grande do Norte. A medida foi publicada na edição do Diário Oficial desta terça-feira (27). O projeto de alfabetização foi desenvolvido no município de Angicos, no interior do estado. O reconhecimento abrange as memórias, os relatos orais, os saberes e as práticas pedagógicas associados às pessoas e comunidades que participaram da experiência. 📳 Clique aqui para seguir o canal do g1 RN no WhatsApp De acordo com a lei, o objetivo é preservar a memória coletiva dos participantes, incentivar pesquisas e divulgar referências históricas e culturais do projeto. A medida também busca transmitir esse legado às futuras gerações e valorizar a importância de Angicos para a história da educação brasileira. O texto esclarece que o reconhecimento não substitui os procedimentos administrativos de registro e inventário previstos nas normas de proteção do patrimônio cultural. Também não obriga a rede estadual de ensino a adotar um método pedagógico específico nem altera os currículos escolares. As 40 horas de Angicos Em 1963, Freire levou uma experiência inédita de educação popular para a cidade de Angicos, no Oeste do Rio Grande do Norte, que à época tinha cerca de 9,5 mil habitantes. O educador tinha uma meta ousada: alfabetizar adultos em 40 horas. A primeira turma teve 380 participantes e cerca de 300 concluíram o curso, que começou em 28 de janeiro e terminou no dia 2 de abril. O método Paulo Freire estimula a alfabetização dos adultos mediante a discussão de suas experiências de vida entre si, através de palavras presentes na realidade dos alunos, que são decodificadas para a aquisição da palavra escrita e da compreensão do mundo. Monumento em homenagem a Paulo Freire em Angicos Raiane Miranda Paulo Freire desenvolveu um método de alfabetização baseado nas experiências de vida das pessoas. Em vez de buscar a alfabetização por meio de cartilhas e ensinar, por exemplo, “o boi baba” e “vovó viu a uva”, ele trabalhava as chamadas “palavras geradoras” a partir da realidade do cidadão. Por exemplo, um trabalhador de fábrica podia aprender “tijolo”, “cimento”, enquanto um agricultor aprenderia palavras como “cana”, “enxada”, “terra” e “colheita”. A construção de novos vocábulos é baseada a partir da decodificação fonética dessas palavras. A vinda de Paulo Freire ao Rio Grande do Norte começou a ser articulada em 1962 pelo então governador Aluízio Alves - que nasceu em Angicos - e foi intermediada pelo secretário de educação Calazans Fernandes. A ideia era expandir o programa de Paulo Freire por todo estado para diminuir os índices de analfabetismo, mas o educador foi exilado em 1964 após o golpe militar sob a acusação de subversão. Agora no g1