Sem registro de reações graves, Acre suspende vacinação contra dengue com imunizante do Butantan
Governo anuncia paralisação da vacinação contra a dengue Sem registro de reação grave, o Acre seguiu a orientação do Ministério da Saúde e suspendeu t...
Governo anuncia paralisação da vacinação contra a dengue Sem registro de reação grave, o Acre seguiu a orientação do Ministério da Saúde e suspendeu temporiamente imunização contra a dengue com a vacina do Butantan. Nesta segunda-feira (8), o governo anunciou a suspensão da vacina após o registro de duas mortes suspeitas pelo país. No Acre, a vacina Butantan-DV era aplicada apenas em trabalhadores da saúde. A orientação de suspensão já foi enviada pela Sesacre aos municípios e às unidades de saúde de todo o estado. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp 🔍 Ao todo, 42 episódios de reações adversas possivelmente ligadas ao Butantan-DV, incluindo os dois óbitos, foram registrados pelo Ministério da Saúde, o que representa 0,008% do total de 500 mil pessoas imunizadas até 30 de maio. Ainda não há resultado conclusivo sobre a correlação dos eventos raros com a vacina (leia mais abaixo). Ainda segundo a Sesacre, há registro de reações leves nos servidores, contudo, não existe histórico de internações. Os sintomas identificados foram: febre, dor de cabeça e pintas pelo corpo (eritema), todos de resolutividade benigna. “Nesta situação, suspender temporariamente a aplicação da vacina no país é uma medida preventiva até que as investigações sejam concluídas. Prezando sempre pela segurança da população, o Estado também acata imediatamente a orientação e já repassou essa informação a todos os coordenadores e unidades de saúde municipais”, destacou a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) no Acre, Renata Quiles, ao site do governo. A coordenadora destacou que a medida vale apenas para a vacina do Instituto Butantan e não afeta o imunizante disponibilizado para adolescentes de 10 a 14 anos, a Qdenga, produzida pelo laboratório Takeda. Essa segue recomendada pelo Ministério da Saúde e continua sendo ofertada normalmente. "Não há registros de eventos adversos que justifiquem alterações na estratégia de vacinação desse público, por isso a recomendação é que pais e responsáveis mantenham a imunização dos adolescentes dentro dos prazos estabelecidos", frisou Renata. Suspensão da vacinação De acordo com o governo federal, ao todo, foram aplicadas 500 mil doses no Brasil e, nesse universo de pacientes, notificados 42 casos de reações severas como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos, incluindo os dois óbitos sob investigação. Em coletiva de imprensa, o Ministério da Saúde reforçou que ainda não há resultado conclusivo sobre a correlação dos eventos raros com a vacina. "Nós tivemos três casos graves, desses, dois óbitos, sem, até esse momento, nas investigações já feitas pelos sistemas municipais, de vigilância estadual, escutando os especialistas, ter dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência", explicou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Em nota, o Insituto Butantan afirmou que o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população, nos três municípios onde houve vacinação em massa — Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). O Butantan DV é a primeira vacina do mundo em dose única contra a dengue Instituto Butantan/Divulgação Orientações E o que acontece agora? Estados e municípios vão suspender a aplicação enquanto os casos de eventos graves e mortes são investigados. O governo informou que vai acionar as secretarias estaduais para reforçar a busca por possíveis efeitos adversos. E quem já tomou a vacina? Quem recebeu doses nos últimos 21 dias deve fazer um acompanhamento e estar atento a reações como febre, dor abdominal, vômitos, entre outros. O Ministério da Saúde reforçou que a medida é temporária e de segurança, que todas as mortes são suspeitas e que há confiança no estudo que levou à comprovação de eficácia e segurança da vacina. "Queria reforçar aqui que o Ministério da Saúde tem toda a confiança na capacidade institucional, científica do Instituto Butantan, de fazer essa investigação, de aprofundar esses estudos. Isso foi apresentado no Comitê de Farmacovigilância Nacional, que foi feito hoje de manhã cedo, e o comitê recomendou de forma consensual essa estratégia de descontinuidade", disse o ministro Padilha. Em nota, o Instituto Butantan disse que vai seguir a orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, com a suspensão de maneira preventiva para reavaliação da estratégia vacinal. "Nosso compromisso é com o máximo rigor científico possível e a gente vai trabalhar nesse sentido com a esperança de que nós vamos conseguir dados suficientes, evidências suficientes para mostrar que a vacina tem benefício para a saúde pública brasileira e pode ser retomada essa vacinação", afirmou o médico infectologista Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan. Reveja os telejornais do Acre