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Xi Jinping defende parceria com americanos, mas destaca que desentendimento sobre Taiwan pode levar a conflito

Donald Trump e Xi Jinping se reúnem em Pequim para encontro histórico Donald Trump e Xi Jinping se reuniram nesta quinta-feira (14) em Pequim para um encontro...

Xi Jinping defende parceria com americanos, mas destaca que desentendimento sobre Taiwan pode levar a conflito
Xi Jinping defende parceria com americanos, mas destaca que desentendimento sobre Taiwan pode levar a conflito (Foto: Reprodução)

Donald Trump e Xi Jinping se reúnem em Pequim para encontro histórico Donald Trump e Xi Jinping se reuniram nesta quinta-feira (14) em Pequim para um encontro histórico. Os líderes das duas maiores potências mundiais descreveram a relação entre China e Estados Unidos como a mais importante para o planeta. Os correspondentes da Globo, Felipe Santana e Lucas Louis, acompanharam de perto. "A gente está aqui em frente à Cidade Proibida. Um lugar que é chamado assim porque, por séculos, só podia entrar aqui o imperador, a família dele e quem trabalhasse para eles. Acesso aqui na China é visto como uma benesse. Por isso, a ida de Donald Trump, na quarta-feira (13), a lugares históricos aqui na China foi carregada de simbolismo. Foi um jogo diplomático, em que tudo era calculado: o que se dizia a portas abertas e a portas fechadas. A gente ficou sabendo um pouco do que foi dito a portas fechadas primeiro por relatórios da imprensa chinesa e, depois por declarações de Donald Trump, do secretário de Estado Marco Rubio para imprensa americana. Só que mesmo elas são contraditórias, porque Trump disse que a China se ofereceu a mediar um acordo com o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. Marco Rubio disse que não pediu ajuda da China porque não precisa de ajuda deles", conta o correspondente Felipe Santana. Nesta sexta-feira (15), eles têm um chá, um almoço e já volta todo mundo para os Estados Unidos, junto com a comitiva de 30 empresários que acompanham Donald Trump. E aí vão começar a sair os anúncios mais oficiais. "Mas antes de qualquer anúncio, a gente queria convidar você a acompanhar os detalhes do que aconteceu nesta quarta-feira (13). Porque eles não dependem de anúncio nenhum para explicar o mundo que a gente vive", diz Felipe Santana. Frente a frente na grande mesa oval, o presidente chinês, Xi Jinping, e o americano Donald Trump. Xi abriu a conversa enfatizando que o planeta inteiro está assistindo ao encontro e que, nesse momento, o mundo está em uma encruzilhada, com transformações rápidas que não eram vistas há mais de um século. A saída, para o chinês, é o fim da disputa e o reconhecimento da China como nova potência. Ele disse: “Nossos interesses em comum superam nossas diferenças. Devemos ser parceiros, não adversários. Buscando sucesso mútuo e prosperidade, abrimos um novo caminho para a coexistência entre grandes potências nesta nova era”. Mas, depois que os jornalistas saíram, Xi traçou uma linha vermelha e retomou o assunto que o mundo ocidental não entende quão importante é para China: Taiwan. A ilha tem um governo autônomo. A China a considera uma província rebelde, parte do seu território. Os Estados Unidos, há décadas, armam os taiwaneses para que se defendam de uma invasão. A China afirma que não vai invadir; quer que Taiwan decida se reanexar. Para Xi Jinping, será seu grande legado: a unificação. Xi Jinping e Donald Trump em Pequim, na China Jornal Nacional/ Reprodução O líder chinês disse a Trump que Taiwan é a questão mais importante na relação com os americanos e que, se o assunto for tratado de forma inadequada, China e Estados Unidos vão colidir ou até mesmo entrar em conflito, levando a relação para um terreno muito perigoso. Xi Jinping pediu cautela a Trump. Uma forma indireta de lembrar a exigência da China de diminuir o repasse de armamentos para Taiwan. Ao tomar a palavra, Donald Trump agradeceu pela recepção no Grande Salão do Povo, onde o Congresso costuma se reunir. Vindo do hotel, Trump chegou ao Centro de Pequim minutos antes. Na entrada, cumprimentou Xi com um longo aperto de mão. Trump continuou dizendo: “A recepção foi uma honra como poucos viram antes. Eu fiquei particularmente impressionado com as crianças. Estavam felizes e alegres”. Continuou dizendo: “O Exército, é óbvio, não poderia ser melhor”. A presença do Exército na recepção é de praxe, mas dessa vez teve carga simbólica. Xi Jinping demitiu em 2026 generais do alto escalão, muitos deles seus aliados. Especialistas levantaram a suspeita de que isso poderia abrir brechas no preparo das Forças Armadas. Ao mesmo tempo, a China investe cada vez mais na modernização de suas tropas, que foram revistas pelos dois presidentes ao som do hino americano, enquanto ecoava pela Praça da Paz Celestial vazia o som de 21 tiros. Trump também elogiou a própria comitiva; disse: “Temos os maiores empresários do mundo. Pessoas incríveis e todos estão aqui comigo. Eu não queria o segundo ou o terceiro escalão das empresas. Queria só o topo. E eles estão aqui hoje para prestar respeito a você e à China”. Donald Trump e Xi Jinping em Pequim, na China Jornal Nacional/ Reprodução Os empresários observavam da segunda fila quando Xi cumprimentava o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Guerra Pete Hegseth e outras autoridades da comitiva. Entre os observadores, o bilionário Elon Musk. A Casa Branca afirma que, na reunião a portas fechadas, os dois presidentes concordaram que o Estreito de Ormuz deveria ser aberto para garantir a passagem de petróleo e gás, e que o Irã não pode cobrar um pedágio no trajeto. “A gente está aqui dentro do Grande Salão do Povo. Um prédio que foi construído na época da Revolução Comunista aqui na China. O lugar onde o Congresso se encontra e um lugar que é reservado também para ocasiões especiais. Eu estive aqui há exatamente um ano, quando da visita do presidente Lula ao presidente chinês, Xi Jinping. Agora se encontram aqui o presidente americano, Donald Trump, e o presidente chinês. É um lugar super imponente, mas o acesso à imprensa foi bem restrito. Por isso, a gente não pôde vir com a equipe e eu vou mostrar pelo celular”, conta o correspondente Felipe Santana. O bilionário Elon Musk chegou com o filho – que deu um tchauzinho para a imprensa. Ele não quis falar com a imprensa. Mas o hiperfoco de Musk, hoje, é sua fábrica de robôs humanoides. Para desenvolvê-los, ele precisa de ímãs produzidos pela China. “E chegando aqui Tim Cook, da Apple, e o CEO da Nvidia, as grandes empresas de tecnologia americana que acompanham Donald Trump na comitiva,”, diz o correspondente Felipe Santana. Jensen Huang se restringiu a dizer que seu único objetivo ali era representar o presidente Donald Trump. Mas a empresa dele, a Nvidia, é a maior do mundo em valor de mercado, mais de US$ 5 trilhões, porque fabrica os chips que rodam a inteligência artificial. Todo mundo usa: ChatGPT, Claude, Gemini, e também o DeepSeek, a inteligência artificial chinesa. “Os momentos aqui dentro são todos muito importantes, mas esse tem o potencial de mudar a história. Porque a gente está entrando em um encontro entre o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, responsável por política macroeconômica, com os grandes bilionários da indústria tech americana. Eles vão chegar aqui a um acordo que pode selar o futuro da humanidade. A gente vê ali conversando bastante o CEO da Nvidia, a maior empresa do mundo hoje, com o CEO da Apple, que faz os iPhones. E aqui chegando na reunião, Elon Musk, o bilionário que participou do governo Trump para cortar gastos do governo, mas que depois brigou publicamente com ele em junho de 2025, e agora está sentado bem na frente da cadeira onde vai sentar o primeiro-ministro chinês, que está chegando aqui nesse momento. Todos levantaram para receber Li Qiang”, narra Felipe Santana. A mesa formada na reunião a portas fechadas escancara: Estados Unidos e China têm uns aos outros nas mãos. E essa disputa definirá como o mundo será daqui a cinco, 50, 100 anos. Para selar o dia histórico, Donald Trump foi convidado para uma visita que não estava na agenda oficial. Foi levado ao Templo do Céu, onde os imperadores chineses pediam ao céu por prosperidade. Uma mensagem de grandiosidade histórica, que coloca a China não apenas como parceira comercial, mas como civilização milenar recebendo o líder do Ocidente. Donald Trump e Xi Jinping em Pequim, na China Jornal Nacional/ Reprodução Nesta quinta-feira (14), veio o primeiro anúncio que pode ser desfavorável ao Brasil. Como gesto de boa vontade, Pequim renovou a licença de centenas de frigoríficos americanos que vão poder passar a vender carne bovina para a China. Essas licenças estavam vencidas. O Brasil é o maior exportador de carne para os chineses. Isso não quer dizer que os americanos vão começar a vender mais imediatamente, porque a compra da carne é controlada pelo Estado, e os chineses tendem a favorecer seus aliados geopolíticos. O banquete do fim do dia foi digno dos tempos de imperadores. Trump e Xi entraram lado a lado e foram aplaudidos de pé. Xi disse que o lema dele, de rejuvenescer a nação chinesa, e o de Trump, de fazer a América grande de novo, podem andar lado a lado. Donald Trump afirmou que o vínculo entre China e Estados Unidos é dos mais importantes da história mundial, com 250 anos de respeito e trocas comerciais. Disse que os chineses usam jeans, amam basquete, e que hoje há mais restaurantes chineses nos Estados Unidos do que todos os restaurantes das cinco principais cadeias de fast food. Disse ainda que os dois países têm muito em comum e convidou Xi Jinping para visitar a Casa Branca no dia 24 de setembro. Até o centro da mesa tinha simbolismo. A água, na cultura chinesa, significa prosperidade. Os cisnes, fidelidade. Um gesto de que, dançando juntos, eles têm mais a ganhar. Todos fingem não ver que a água do lago está fervendo, em uma disputa global em seu ápice. Nessa cena em que presidentes, bilionários e generais são personagens de um quadro histórico. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Sandra Cohen: Em vantagem sobre Trump, Xi coloca Taiwan como linha vermelha e dá recado claro aos EUA Trump diz que Xi Jinping garantiu que China não enviará apoio militar ao Irã e defendeu Estreito de Ormuz aberto Banquete entre Trump e Xi tem troca de elogios e convite para líder chinês viajar aos EUA Trump diz que China concordou em comprar 200 jatos da Boeing