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Morre aos 70 anos Moogie Canazio, conceituado engenheiro de som e produtor da indústria fonográfica

Moogie Canazio (1955 – 2026) morre em Los Angeles (EUA), aos 70 anos Marcos Hermes / Divulgação ♫ OBITUÁRIO ♬ Poucos profissionais da indústria fonogr...

Morre aos 70 anos Moogie Canazio, conceituado engenheiro de som e produtor da indústria fonográfica
Morre aos 70 anos Moogie Canazio, conceituado engenheiro de som e produtor da indústria fonográfica (Foto: Reprodução)

Moogie Canazio (1955 – 2026) morre em Los Angeles (EUA), aos 70 anos Marcos Hermes / Divulgação ♫ OBITUÁRIO ♬ Poucos profissionais da indústria fonográfica dominaram a engenharia do som como Antônio Canazio (21 de setembro de 1955 – 21 de abril de 2026), o reverenciado produtor musical conhecido na indústria fonográfica pelo nome artístico de Moogie Canazio. Dedicado a sempre extrair o melhor áudio das gravações, Moogie andava empolgado ultimamente com as propriedades imersivas do som dolby atmos. “Atmos fun!! Woooo hooooo!!”, celebrou o engenheiro de som em 12 de janeiro no que veio a ser o último post do produtor musical. Nascido no Rio de Janeiro (RJ), Moogie Canazio morreu na madrugada desta terça-feira, 21 de abril, em Los Angeles (EUA), para onde migrou em 1979 e onde fez carreira como engenheiro de som, iniciada no Kendun Records, em Burbank, cidade da Califórnia (EUA). O produtor se sentiu mal em casa. Paramédicos foram chamados e tentaram em vão reanimar o mago do áudio. Ocorrida à 1h desta terça-feira (5h, pelo horário de Brasília – DF), a morte de Moogie Canazio foi confirmada em rede social pela esposa do artista, Márcia Canazio, para a tristeza de todos os profissionais da indústria fonográfica brasileira e de intérpretes como Maria Bethânia, que teve vários discos produzidos pelo engenheiro de som, inclusive o álbum blockbuster “As canções que você fez pra mim” (1993). “Moogie dedicou a vida à música. Ele construiu uma carreira extraordinária como engenheiro de gravação e mixagem, trabalhando com alguns dos maiores artistas do mundo e ganhando múltiplas honrarias no Grammy e no Grammy Latino. A música era sua paixão, seu propósito e seu legado”, sintetizou Márcia Canazio ao comunicar a morte do marido. Não há exagero nessas palavras. Moogie Canazio conseguiu contentar até o exigente João Gilberto (1931 – 2019), com quem trabalhou na gravação do álbum “João, voz e violão” (2000). Por esse trabalho como engenheiro de som (a produção artística do disco é de Caetano Veloso), Moogie ganhou o Grammy em 2001 na categoria Álbum de world music. Em 1993, Moogie tinha sido indicado ao Grammy pela engenharia de som de um dos álbuns mais aclamados de Sergio Mendes (1941 – 2024), “Brasileiro” (1992). Baterista de bandas de baile na adolescência, Moogie Canazio fez nome no anonimato dos estúdios, trabalhando com leque variado de artistas, de Caetano Veloso à dupla Anavitória, passando por Guilherme Arantes, Ivan Lins, Zizi Possi e a dupla Sandy & Junior, entre outros grandes nomes. Por tanta dedicação ao som da música, Moogie Canazio foi nomeado em 2008 para o conselho curador da Academia Latina de Gravação, instituição que produz o Grammy Latino desde 2000. Em 2011, o produtor se tornou vice-presidente do conselho, permanecendo no cargo até 2019. Ao sair de cena, Moogie Canazio deixa legado inestimável na indústria fonográfica do Brasil. Até João Gilberto gostou do som extraído por esse engenheiro devotado à deusa música...