Um assessor saía, outro entrava: como funcionava a ‘rachadinha’ de ex-vereadora em Caruaru
Ex-vereadora de Caruaru Kátia das Rendeiras é condenada por 'rachadinha' A troca de assessores foi apontada pela Justiça como uma das formas usadas para mant...
Ex-vereadora de Caruaru Kátia das Rendeiras é condenada por 'rachadinha' A troca de assessores foi apontada pela Justiça como uma das formas usadas para manter em funcionamento o suposto esquema de “rachadinha” envolvendo a ex-vereadora Kátia das Rendeiras, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Ela foi condenada a 8 anos e 9 meses de prisão por peculato-desvio continuado e associação criminosa. Segundo a sentença, três pessoas ocuparam o mesmo cargo em uma sequência de nomeações e exonerações entre junho de 2021 e fevereiro de 2022. Os assessores foram substituídos em sequência, mantendo o mesmo cargo ocupado na Câmara. No caso de Carlos Bezerra da Silva, a Justiça identificou transferências do salário recebido por ele para Carlos Mateus Pereira Lúcio, apontado como principal beneficiário dos valores. ✅ Receba as notícias do g1 Caruaru e região no seu WhatsApp A primeira a ocupar a função foi Maria Lúcia Pereira Lúcio, nomeada em 7 de junho de 2021. Ela recebeu salário líquido de R$ 3.905,22 por mês. Segundo a sentença, Maria Lúcia não exercia efetivamente as atividades do cargo e parte do dinheiro era repassada para Carlos Mateus Pereira Lúcio. Maria Lúcia foi exonerada em 31 de agosto de 2021. No dia seguinte, 1º de setembro, Carlos Bezerra da Silva foi nomeado para a mesma função, também com salário líquido de cerca de R$ 3,9 mil. De acordo com a decisão, Carlos Bezerra da Silva também não exercia as atividades de assessor na Câmara. Ele afirmou à Justiça que repassava o salário para Carlos Mateus. A sentença aponta que foram identificadas sete transferências entre os dois, realizadas de setembro de 2021 a janeiro de 2022. Os repasses somaram R$ 19.665. Segundo o relatório financeiro citado na decisão, as transferências eram feitas no mesmo dia ou no dia seguinte ao recebimento do salário pago pela Câmara e tinham valores próximos aos recebidos pelo assessor. A sequência mudou novamente no início de 2022. Carlos Bezerra foi exonerado em 31 de janeiro e, no dia seguinte, 1º de fevereiro, Carlos Mateus Pereira Lúcio foi nomeado para o mesmo cargo. LEIA TAMBÉM Vereadora Kátia das Rendeiras é presa em operação da Polícia Civil em Caruaru Justiça condena ex-vereadora Kátia das Rendeiras por suposto esquema de ‘rachadinha’ em Caruaru Vereadora Kátia das Rendeiras presta depoimento à polícia sobre possível rachadinha e assassinato de blogueiro Assessor disse que recebia R$ 1 mil ‘por fora’ Além dos repasses do salário, a sentença registra que Carlos Bezerra da Silva afirmou que recebia R$ 1 mil por mês de Kátia das Rendeiras “por fora”. Segundo ele, o valor era pago enquanto ele ocupava o cargo de assessor. Segundo a sentença, Carlos Bezerra também contou que Carlos Mateus foi até a casa dele e pediu documentos para ocupar uma vaga na Câmara. Segundo o relato, Mateus teria determinado que, quando o salário fosse recebido, o dinheiro deveria ser enviado para ele. A sentença afirma que, no primeiro pagamento, o valor chegou a ser retirado diretamente no banco na presença de Carlos Mateus, porque ele ainda não tinha conta bancária. O que a Justiça considerou Ex-vereadora Kátia das Rendeiras, de Caruaru Câmara de Vereadores de Caruaru Ao analisar o conjunto de provas, o juiz apontou que a troca dos ocupantes do cargo fazia parte de uma estrutura mais ampla. Para a Justiça, a substituição dos assessores permitia a continuidade do fluxo de dinheiro mesmo quando uma das pessoas deixava a função. A sentença também menciona documentos da Câmara, registros bancários, depoimentos e declarações dos envolvidos. Segundo a decisão, esses elementos, analisados em conjunto, comprovaram a participação dos quatro condenados. Kátia das Rendeiras: apontada como liderança no esquema, recebeu a pena de 8 anos e nove meses de reclusão, além de 75 dias-multa; Carlos Mateus: condenado a 4 anos e quatro meses de reclusão em regime aberto; Carlos Bezerra: condenado a 3 anos e oito meses de reclusão; Maria Lúcia: 3 anos, quatro meses e 24 dias, em regime aberto. Todos os condenados podem recorrer em liberdade. O que diz a defesa Ao g1, a defesa informou que recebeu a decisão com serenidade e que, após ser formalmente intimada, vai apresentar o recurso cabível. Os advogados afirmaram que entendem existir fundamentos para a revisão da condenação e disseram confiar no Poder Judiciário e no duplo grau de jurisdição. A defesa também declarou acreditar que a análise do caso pelo Tribunal poderá resultar na reforma da sentença.